Político. Criação. Valor., Carolina Anselmo

POLÍTICO. CRIAÇÃO. VALOR., Carolina Anselmo

 

A conferência realizada dia 13 de novembro, na Biblioteca do Campus da Caparica teve como objetivo tratar dos temas político, criatividade e valor.

A primeira mesa foi composta pelos sociólogos José Bragança de Miranda e Luís Baptista. Os assuntos tratados foram sobre a definição e modificação dos lugares, territórios e espaços. O mundo globalizado é extremamente dinâmico e sofre alterações, não só físicas e espaciais, como também a relação entre as pessoas com esses espaços é constantemente alterada. Isso cria novos significados para os lugares que deixam de poder ser pensados como lugares de configurações definitivas. Os espaços públicos precisam ser entendidos como espaços dinâmicos, situacionais, que absorvam as mobilidades. São espaços que se reterritorializam.

O engenheiro Antônio Câmara abriu a segunda mesa, apresentando propostas de intervenção para o espaço público com uma abordagem bastante tecnológica e de cariz espetacular. Como exemplo, sugeriu a instalação de um monstro do lago no rio Tejo que pudesse aparecer na superfície em certos momentos. A meu ver, o trabalho tem uma perspectiva muito técnica, ligada ao desenvolvimento de dispositivos tecnológicos que permitam o funcionamento das propostas, mas é pouco consistente no sentido de contribuir para o entendimento e relação com o espaço público.

O artista Leonel Moura colocou a sua posição em relação à produção de conhecimento sobre os conceitos que orientam o seu trabalho como artista. Para ele a universidade é uma instituição obsoleta, que não é a única fonte de conhecimento. Também vê a universidade com um lugar fechado, que não está aberta a todos. Essa visão sobre a instituição me pareceu um pouco distorcida, uma vez que as universidades trabalham cada vez mais de forma interdisciplinar, estabelecendo relações entre si, e com o mundo exterior. Outro ponto colocado por Leonel Moura foi a, antes impensável, fusão de ciências, como por exemplo a bioquímica. A partir daí citou outras fusões e modificações que apareceram durante em anos recentes e que são inspiração para o seu trabalho. Como exemplo: trangénicos, próteses, junção homem máquina (ciborgs).

O arquiteto e artista Nuno da Silva apresentou depois o seu trabalho, que consiste em instalações que usam luzes e reflexos. Mostrou as seguintes obras: Feedback – espelho infinito; Jardim secreto de Benhard Rilman; Capela imperfeita; projeções sobre fios eléctricos da cidade de Lisboa; projeção de laser sobre rio.

Para fechar a mesa o arquiteto Pedro Brandão defendeu que o conceito de criatividade se expandiu e que hoje não só os artistas, publicitários e arquitetos precisam de ser criativos. As atividades de empresários economistas, advogados também precisam envolver criatividade. Também defendeu que existe hoje uma dificuldade em distinguir arte de espetáculo. Completando o que foi dito na primeira mesa, referiu que os espaços não podem mais ser tratados com base em ideais utópicos e manifestos que propunham espaços perfeitos, tal como na época do modernismo.

Na terceira mesa o arquiteto Luis Santiago Batista completou esse assunto e falou sobre a diferença da forma de pensar os espaços no período modernista e pós modernista. Não é mais possível pensar em espaços estáticos e planear as cidades de forma que elas modifiquem as pessoas que nelas percorrem. A forma de pensar o espaço público hoje precisa levar em consideração a dinâmica, a heterogenia e a instabilidade. Não se pode mais pensar em planos utópicos e manifestos como no modernismo.

O artista plástico Nuno Maia apresentou seu trabalho. Primeiro mostrou umas fotos onde ele apaga o fundo e deixa apenas as pessoas. Depois mostrou alguns trabalhos de projeções onde as pessoas podem interagir e mudar cores ou padrões projetados.

Nuno Maia

Nuno Maia

Para encerrar as palestras o grupo Moov apresentou alguns projectos. Explicaram que trabalham de forma colaborativa e interdisciplinar. Para cada trabalho, existe um grupo de pessoas de diferentes formações e de diferentes lugares do mundo que ajudam no desenvolvimento. Trabalham em diferentes escalas, desde concursos de propostas arquitetônicas, até performances e instalações artísticas.

MOOV

MOOV

MOOV

Para encerrar a conferência houve uma explicação do Plac – Plano de Luz e Arte Contemporânea do campus de Caparica   – que consiste num projeto que tem como objetivo requalificar espaço do campus através de ações artísticas realizadas com a colaboração de artistas, investigadores, peritos tecnológicos e comunidade acadêmica. A curto prazo a intenção é de dinamizar a vida cultural e atrair novos públicos e funcionalidades. A médio prazo é criar uma dinâmica de ocupação artística para qualificar a imagem e o ambiente urbano capaz de tornar o mesmo mais notável e a longo prazo, afirmar um modelo de arte publica socialmente sustentável e com impacto urbano continuado, capaz de atrair investimento.

As atividades são desenvolvidas acompanhadas de palestras e reuniões trimestrais onde é possível discutir o trabalho e os conceitos que serão trabalhados. Depois de seis meses são realizadas reuniões onde são avaliados os trabalhos e os artistas recebem retorno da sua obra quepodem ter caráter temporário ou permanente.

One Response

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  1. Saint Clair said, on April 18, 2014 at 3:03 pm

    Muito bom o post, parabéns!


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